
Flickr – Cervejarium
’Em continuação à primeira conversa e em homenagem a Paulo Mendes Campos, reparto com os amigos o petisco abaixo, tirado de ‘Os bares morrem numa quarta-feira (1980, Círculo do Livro, pág. 221)’
Bolinho de Feijão
Uma vez, ao sair dum labirinto burocrático, psiquicamente entorpecido, reparei que eram onze horas de manhã limpa e amena. Suspirei para a mulher que estava a meu lado: Que pena!
Que pena, sim, pois é bem ridículo renascer às onze horas de manhã limpa e amena, e não existir um só antro da cidade no qual uma alma leve possa comer um bolinho de feijão! (nota da edição: em São Paulo, desconheço, mas no Rio hoje em dia tem um saborosíssimo Bolinho de Feijoada, ganhador de prêmios, no Aconchego Carioca, Rua Barão de Iguatemi, 379, Pça. da Bandeira, tel.: (21) 2273-1035, das 12h/0h, dom. até 18h; fecha seg.; mas voltemos ao texto). É uma das contradições da civilização! Intolerável que uma cidade devore oceanos de peixes, rebanhos de bifes, enxurradas de cereais e hortaliças, sem poder ofertar ao consumidor um pratinho de bolinhos de feijão. Fazendo minhas as palavras sombrias de um russo, no banho de luz da Praça Marechal Âncora, ameacei a humanidade: Mundo louco, feliz em tua loucura, o teu despertar será terrível!
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Era assim que se fazia, a partir de 1949, quando foi fundada a Companhia Cinematográfica Vera Cruz: cerca de 30 músicos embarcavam no ônibus que saía da rua Major Diogo, em São Paulo. No comecinho da noite já estavam no estúdio, localizado em São Bernardo do Campo.
No ritual que se repetia em média durante uma semana, acomodavam-se, afinavam seus instrumentos – contrabaixos, violinos, celos, metais, madeiras, percussão – e iniciavam a gravação da trilha, enquanto o filme era projetado numa tela. Fazia-se a mixagem na hora, ao mesmo tempo em que o som era sobreposto ao negativo.
Ao amanhecer, suspendia-se a sessão – caso contrário, a sala, sem tratamento acústico, seria invadida por sons de aviões, automóveis e o canto dos pássaros do vizinho. Só 24 horas depois de o laboratório ter feito revelação e cópia do material é que se ouvia o resultado do trabalho dos músicos.
Vários maestros se destacaram na composição e regência das trilhas – entre eles Francisco Mignone, Gabriel Migliori, Enrico Simonetti e Radamés Gnatalli, que em 1952 assinou a música do filme “Tico-Tico no Fubá”.
Fonte: “Rogério Duprat – Ecletismo Musical”, de Máximo Barro (Imprensa Oficial)

Matéria publicada por Fernando Lichti Barros no Diário da Noite em 8/12/76
Edu Lobo critica a falta de apoio aos novos músicos
A excessiva divulgação de música estrangeira fecha o mercado para os profissionais brasileiros e acaba confundindo nossos músicos em formação.
- Um compositor novo não sabe se quer ser o James Taylor ou o Gilberto Gil.
As palavras são de Edu Lobo, que volta a gravar após três anos: seu disco Limite das Águas, lançado há 15 dias, vendeu cinco mil cópias – um número surpreendente para ele, que não espera que aconteça o chamado “estouro”, já que tem consciência das barreiras mercadológicas.
Isso mesmo: as barreiras são apenas de mercado. O público daria ouvidos a todo tipo de som, e não apenas o que habita as famigeradas e discutíveis “paradas de sucesso”. É como diz Edu:
- Hermeto Pascoal lota um teatro de 1.500 pessoas, e ninguém vai lá pra brincar. Vai todo mundo pra ouvir um tremendo dum som.
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O show business brilha nos palcos brasileiros, matéria que poucos leram no jornal Brasil Econômico (13/3/2010), confirma: a música desperta o apetite de grandes grupos econômicos. “Atraídas por boas possibilidades de retorno financeiro, empresas brasileiras e multinacionais querem um papel na cena musical do país. Planejam fusões, novas companhias, IPOs (oferta pública de ações) e até a reforma de estádios para trazer estrelas como o ex-beatle Paul McCartney”
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