2014
08.28

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2014
05.28

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2014
05.10

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Ele acompanhou Elis Regina há 50 anos no primeiro show da cantora em São Paulo. Tocou também com Dorival Caymmi, Dolores Duran e o saxofonista Casé, entre outros grandes artistas. Mais: criou o Sambossa 5, um dos grupos precursores do samba-jazz.

É longa e diversificada a experiência do pianista Luiz Mello, que protagoniza a terceira edição de Noite, Som e Tal, dia 16 de maio, às 20h, no Espaço Garimpo do Sesc Araraquara. Com ele estarão Thiago Alves (contrabaixo) e Jônatas Sansão (bateria), da nova geração de instrumentistas paulistanos.

“Repertório criterioso e harmonia requintada são marcas facilmente identificáveis no trabalho de Luiz Mello. Indiferente a modismos e truques mercadológicos, ele oferece à música um tratamento de absoluta reverência”, diz Fernando Lichi Barros, idealizador de Noite, Som e Tal, série inspirada no seu livro “Do calypso ao cha-cha-chá – Músicos em São Paulo na década de 60”.

No Sesc Araraquara, Mello visitará a bossa nova, o jazz e o que mais lhe ocorrer. Às vésperas de completar 77 anos, ele tem de sobra entusiasmo e competência para se atirar à improvisação.

2014
02.13

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No Sesc Araraquara, o jazz dá samba na segunda rodada de ‘Noite, Som e Tal’

A mistura de jazz e samba com notas de inventividade compõe a receita da segunda rodada de Noite, Som e Tal, dia 7 de março, sexta-feira, a partir das 20h, no Espaço Garimpo do Sesc Araraquara. A entrada é franca.

A série, inaugurada em novembro com um show do saxofonista Proveta e convidados, traz agora um quarteto formado por integrantes do que há de melhor na música instrumental de São Paulo: João Parahyba (bateria), Beto Bertrami (piano), Vitor Alcântara (saxofone) e Zeli Silva (contrabaixo). “Eles fazem parte da turma que voa em sentido contrário ao da arte meramente burocrática”, diz Fernando Lichti Barros, curador de Noite, Som e Tal.

Essência dos encontros musicais chamados de canjas ou jam sessions, a criatividade é a marca do projeto. Quem a tem de sobra são os instrumentistas que protagonizarão o show.

140307-noitesonetalJoão Parahyba, ex-integrante do Trio Mocotó, começou a carreira na famosa boate O Jogral, em São Paulo, na década de 60. Já tocou com Jorge Ben Jor, Michel Legrand, Vinícius de Morais, Ivan Lins e Cesar Mariano, entre outros.
Beto Bertrami e Vitor Alcântara, ambos de famílias com tradição musical, atuaram com artistas do porte de Dominguinhos, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Banda Mantiqueira, Caetano Veloso, Alaíde Costa, Rosa Passos e Leni Andrade.
Dono de longo currículo é também o contrabaixista Zeli, que trabalhou, por exemplo, com Rosa Passos, Leni Andrade, Edgar Scandurra e Chucho Valdés.
Para o show no Sesc Araraquara, eles já combinaram: vão tocar em busca da surpresa. Música feita com liberdade.

Noite, Som e Tal
Sesc Araraquara/Espaço Garimpo
7/3, sexta-feira, às 20h Entrada franca.

 

2013
10.29

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Nove representantes da nata musical brasileira encontram-se para revisitar sua origem. Jazz, bossa nova, samba, tudo pode acontecer dia 1º de novembro, no Sesc Araraquara, a partir das 20h, no show “Noite, som e tal”.

As canjas e jam sessions que tantas vezes encantaram os frequentadores de boates e salões de baile tecem o fio condutor de espetáculo. Nele, um respeitável naipe de sopros formado pelos saxofonistas Proveta, Hector Costita e Carlos Alberto Alcântara e o trompetista Jericó reúne-se com o multiinstrumentista Arismar do Espírito Santo, o contrabaixista Paulo Paulelli, o pianista Dom Beto e o baterista Celso de Almeida.
Todos eles têm no currículo a atuação em salões e casas noturnas, nas quais brilharam também cantoras como Ana Maria Brandão, que completa o elenco. Sem grandes preparativos, os nove artistas fazem acontecer “Noite, som e tal”, dando continuidade à série “Estamos Aí – Uma geração de grandes músicos”, que este ano levou três shows ao Sesc Araraquara.

Nessa jam session, canja ou seja lá como se chame isso, o que se pretende é promover uma espécie de ritual para devolver à música o seu sentido de aventura, de criação radicalmente libertária”, diz Fernando Lichti Barros, curador do projeto.

2013
07.03

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PROTAGONISTA Com seu quinteto, Luiz Loy deu luxuoso suporte à grande safra de artistas que nos anos 1960 revolucionaram a música brasileira. E está de volta 45 anos depois.
Por: Ana Ferraz | Plural – Revista Carta Capital Jul. 2013

Às segundas ele gravava O Fino da Bossa, terça, Côrte Rayol Show, quarta, Hebe, quinta, Chico Anysio Show / Show em Si (de Simonal) / Pra Ver a Banda Passar. Sexta batia o ponto em Bossaudade e sábado era a vez de Astros do Disco. Domingo acompanhava a turma da Jovem Guarda. O ano de ouro dos musicais era 1965 e o altar supremo de talentos em ascensão, a TV Record de São Paulo, líder absoluta em audiência. Sob a luz indireta dos holofotes, o pianista, maestro e arranjador Luiz Loy e seu quinteto modestamente davam luxuoso suporte a astros em rota acelerada rumo à fama, com Elis Regina, Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão. Transcorridos 45 anos desde a última vez em que se apresentou, o Quinteto Luiz Loy acaba de voltar à sena.

Em princípio inseguro, o veterano surpreendeu-se. “Os jovens gostaram mais do que eu imaginava. Tinha medo de ser um som antigo.” O que o público do SESC Campinas ouviu no show Estamos Aí – Uma Geração de Grandes Músicos foram canções como a que dá nome ao espetáculo (Maurício Einhorn e Durval Ferreira), Upa Neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri), Quem Te Viu, Quem Te Vê, A Banda, Noite dos Mascarados (Chico Buarque de Hollanda), Wave (Tom Jobim). Dia 8 de maio, meio da semana e data de importante jogo de futebol, Loy (piano), Mazinho (sax flauta) Jericó (trompete), Pichu (contrabaixo) e Zinho (bateria) constataram que música boa não fica datada. “Foi emocionante. A esta altura, 75 anos em julho, não esperava nem estar tocando. Estamos empolgados, vamos pensar em novos shows e num disco.”

A nunca antes cogitada volta do Quinteto Luiz Loy (o pianista e Zinho são os únicos remanescentes) deu-se por insentivo do jornalista e músico Fernando Lichti Barros, cuja relação e amizade com o lider do grupo começou a partir de entrevista para o livro Do Calypso ao Cha-Cha-Cha (Nova Ilusão Edições, 2012, 140 págs.), panorama da sena musical paulistana dos anos 1960. O contato inicial foi difícil, Loy esquivava-se. “Muitos me procuraram para saber detalhes da vida pessoal de artistas com quem trabalhei. Detesto isso. Achei que ele quisesse a mesma coisa, me enganei profundamente.” Para o escritor, autor também de Casé – Como Toca Esse Rapaz! (Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música em 2010), biografia do mítico e pouco conhecido saxofonista paulista, o arranjador distingue-se pelo talento e por se sentir realizado em acompanhar. “Hoje, principalmente, os músicos se preocupam em ser solistas.”

A prática veio dos tempos de conjunto de baile e da boate Chicote, na praça Roosevelt, onde com Zinho, bateria, e Bandeira, contrabaixo, acompanhou Elza Soares, Tito Madi, Oscar Ferreira e uma Maysa ainda Matarazzo, na eminência de virar estrela. Loy estreou na Record em julho de 1965, aos 16 anos, com formação de trio. Um mês depois, convenceu Tuta (Antônio Augusto Amaral de Carvalho) da necessidade de trompete e sax. “Isso não dá certo em bossa nova”, argumentou o chefão da emissora. “Foi uma encrenca, mas decidi levar Mazola e Papudinho por minha conta. Sucesso total, todos contratados.”

Na época em que Loy batia o ponto na emissora, a concorrência era de alto nível, Zimbo Trio ((de Amiltom Godoy), Tamba Trio (de Luiz Eça), Jongo Trio, Bossa Jazz Trio. “Antes de aceitar o convite pedi muitas desculpas para o Godoy, um dos maiores pianistas do País”, relembra o arranjador de fala suave e rara modéstia. Estudante apaixonado de música desde a infância, Loy começou no acordeom aos 6 anos, por influência do ídolo Luiz Gonzaga. Quando a profissão exigiu trocar a sanfona pelo piano, sentiu a pressão, pois por causa do instrumento a mão direita se tornara mais ágil. “Com a esquerda era um dedinho, depois dois, três, mais que isso não dava, então eu tinha que ter cara de pau para tocar ao lado do Godoy.”

De dedinho em dedinho, o músico tornou-se peça fundamental da engrenagem que transformou o panorama da tevê brasileira. “Era tudo ao vivo, com plateia. E não havia tecnologia. Ouço gravações da época e concluo que era milagroso. Jair Rodrigues em Tristeza, por exemplo, é possível distinguir cada instrumento.”

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Eliscóptero. Na Record (1967)

Na definição de Loy, O Fino da Bossa, apresentado por Elis e Jair, foi glorioso. Aos 20 anos, a gaucha comandava a atração em que se apresentavam Tom Jobim, Dorival Caymmi, Maria Bethânia, Zé Ketti. “Certa vez, Vinícius de Moraes subiu ao palco com Baden Powell, vindos do boteco onde o poeta escrevera uma letra no guardanapo. Tirou o papel do bolso e cantou Canto de Ossanha.” De outra feita, o diretor da RGE, Julio Nagib, pediu a Loy um desconto para acompanhar um estreante. O moço de olhos claros ia gravar o primeiro disco, um compacto simples. “Tímido e nervoso, tremia tanto que não conseguia tocar violão.” Era Chico Buarque, que com ajuda de Toquinho gravou Olê Olá e Meu Refrão. No ano seguinte explodiu com A Banda.

O primeiro encontro entre Loy e Elis, “a pessoa mais incrível que conheci”, foi emblemático. “Estava na Consolação e entrei no Teatro Record, onde o H´lio Ansaldo apresentava a novata. Fiquei no fundo da plateia e quando percebi a aplaudia na frente do palco. Ela ali, afinadíssima e cheia de energia, ‘nadando’.” A sintonia foi total, irmãos confidentes. “Elis era generosa, nunca deixou de divulgar nomes de pessoas que ajudava. Tinha grande repertório, interpretava com alma. Chorou pra gravar Pra Dizer Adeus e chorou aqui em casa ao ouvir a gravação.” Dezenove dias antes de ela morrer, Loy soube que havia algo errado. “Elis me ligou, disse que ia receber uns músicos e perguntou se eu conseguiria um brilho. Não sabia do que se tratava. ‘Você não é de nada mesmo, brilho é poeira, pó, cocaína, debochou. Depois que ela morreu, fiquei um ano doente.”

Fonte: Revista Carta Capital
3 de Julho de 2013 – pg 64 65
www.cartacapital.com.br